Empresários de diversos setores beneficiam-se com oportunidades geradas pelo incremento deste segmento de turismo no País
Um estudo divulgado pelo Ministério do Turismo demonstra que, nos últimos anos, uma modalidade de turismo vem gerando contribuições significativas para a economia do País. Trata-se do turismo de eventos, que em 2008 movimentou aproximadamente US$ 122,6 milhões com a realização de 254 eventos internacionais, de acordo com pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Este segmento vem proporcionando a entrada de receitas e geração de postos de trabalho, o que reflete diretamente na movimentação da cadeia produtiva do turismo no País. Para se ter uma ideia da importância deste segmento, o turista que vem ao Brasil para participar de eventos, deixa, em média, US$ 285,10 por dia. O número é bem superior à média de gastos de turistas que vêm ao País a negócios (US$ 112,90) e a lazer (US$ 73,40), segundo estudo realizado em 2007 pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), a pedido da Embratur. Hospedagem, compras, alimentos, cultura e transporte são os principais responsáveis por estes investimentos por parte dos turistas. Dados da International Congress and Convention Association (ICCA) mostram que o Brasil é atualmente um dos principais destinos do mundo para realização de eventos. Em 2008 passou a ocupar a sétima posição no ranking mundial.
Para o ministro do Turismo, Luiz Barretto, pesquisas como estas são fundamentais para orientar e balizar os investimentos para a prospecção de novos eventos. “O País vai bem, mas os desafios são grandes. Neste momento é importante ter instrumentos para planejar nosso futuro e essa pesquisa é uma radiografia desse segmento. O Brasil tem uma agenda positiva pela frente, que inclui a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, e o turismo de eventos e negócios vai surfar nessa onda.”
Barretto informa que o Ministério do Turismo pretende aplicar R$ 440 milhões para qualificar 306 mil trabalhadores que vão lidar diretamente com os turistas, como garçons, taxistas e recepcionistas de hotéis e guias turísticos durante a Copa do Mundo em 2014. As ações incluem 80 mil vagas de cursos on-line em inglês e espanhol, cursos de gestão empresarial para pequenos e microempresários do turismo, além do programa Próximo Passo, que capacitará integrantes do Bolsa Família para atuar no setor de turismo.
Múltiplos beneficiados
Não são apenas os segmentos diretamente ligados ao setor turístico são beneficiados com a realização de eventos. As oportunidades podem aparecer para micro e pequenas empresas que nada têm a ver com o segmento hoteleiro, por exemplo. É o caso da carioca Ativa Tecnologia e Desenvolvimento, que trabalha com sistemas complexos para detecção e contenção de óleo. Participar de um evento esportivo nunca fez parte dos planos dos sócios, mas eles perceberam a chance de ampliar o campo de atuação da empresa. De olho nos grandes eventos esportivos que vêm por aí, a Ativa trabalha na adaptação de um sistema chamado ‘barreira ativa’, que evita que o óleo se espalhe na água. O sistema vai servir também para recolher o lixo e monitorar a qualidade da água do mar.
Segundo André Souza, um dos sócios da Ativa, esta tecnologia avançada usada no segmento de petróleo e gás será aplicada em uma área visível para a população. A empresa já fechou parceria com outra para construção dos equipamentos destinados a essa nova utilização. A parceria é um exemplo de como um micro ou pequeno empreendimento pode superar suas limitações de tamanho ao se aliar a uma empresa complementar para ganhar escala e oferecer preços competitivos.
Também na capital carioca, o empresário Fábio Tabach comanda os negócios com um notebook e celular em seu “escritório”, a praia de Ipanema. Como produtor cultural, já promoveu grandes eventos musicais, como apresentações no réveillon do Rio. Segundo Fábio, a Tabach Criações Artísticas Ilimitada já recebeu encomendas de dez grandes empresas interessadas em divulgar a marca no calendário dos grandes eventos esportivos. Diz que não conhece outra cidade que, em tão pouco tempo, tenha sediado os Jogos Pan-Americanos e ainda se prepara para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos – a Cidade do México recebeu as Olimpíadas e Copa em 1968 e 1970, respectivamente. Com isso, Fábio afirma já sentir uma mudança no seu dia a dia e espera que os negócios aumentem ainda mais.
Em Florianópolis, Milton Della Giustina, proprietário da bicicletaria Della Giustina, enxerga nos eventos esportivos uma oportunidade de aproximar sua marca dos clientes em potencial. Além de investir no patrocínio de eventos que acontecem na cidade, como o Ironman e Audax, e provas de mountain bike pelo estado, procura montar estande com exposição de produtos. O empresário afirma que nem sempre as vendas realizadas durante os eventos cobrem os investimentos, mas o principal benefício é atingir um público com bom poder de compra, em especial os frequentadores de eventos amadores.
Nos dois últimos anos, Della Giustina já percebe os resultados. O público impactado durante os eventos passou a frequentar sua bicicletaria, aumentando o faturamento. Ele explica que todo este investimento representou um reposicionamento da empresa no mercado. “Mudei a forma de atuação, o que ajudou na reformulação da nova imagem. Para ter retorno, é preciso fazer tudo bem planejado”, pondera. Em novembro, o empresário inaugura uma nova loja, com o dobro da área da anterior, na Avenida Beira-Mar Norte, área nobre da cidade.
Ele alerta que, além de saber expor a marca e os produtos durante os eventos, é preciso preparar a empresa para receber este público. “Na loja precisei aumentar o estoque e a disposição da linha de produtos exposta nos eventos, para que o cliente que vem impactado pelos eventos encontre o que procura sem dificuldades.”
Planejamento específico
O governo de Santa Catarina, o quarto destino turístico mais procurado do Brasil, também está atento às oportunidades no segmento de eventos internacionais. Sede da última edição do WTTC, o maior congresso de turismo do mundo, o estado vê no turismo de eventos uma forma de incrementar os negócios em qualquer época do ano.
Em outubro, a capital do estado foi sede de um dos maiores festivais de mágica do mundo. O Festival Internacional de Mágica de Marrakech, que há seis anos acontecia no Marrocos, pela primeira vez foi realizado no Brasil. A iniciativa, que levou a Florianópolis participantes de diversos países, só foi possível com o apoio do governo do Estado de Santa Catarina e da prefeitura de Florianópolis, que têm buscado ações capazes de fortalecer o turismo e combater a sazonalidade. “Com esse festival iniciamos um caminho que será trilhado anualmente. Queremos, com ações como essa, chamar mais turistas para a nossa cidade fora da temporada de verão”, destaca o secretário do Turismo de Florianópolis, Mario Cavalazzi.
Um dos pontos fortes do evento foi o trabalho da equipe responsável pela produção e logística, a Arte Brasil Produções, que é a mesma do Festival de Dança de Joinville. Victor Aranis, diretor de produção de ambos os festivais, garante que o intenso ritmo de trabalho valeu a pena. “A experiência acumulada nos últimos 12 anos com todas as questões que envolvem a administração e a produção do Festival de Dança de Joinville, o maior do mundo no gênero, foi decisiva para realizar, com sucesso, o Festival Internacional de Mágica de Marrakech em Florianópolis em menos de 60 dias”, destaca Aranis. “O festival, sem dúvida nenhuma, já se insere na lista dos grandes eventos da cidade”, afirma Vinícius Lummertz, secretário de Articulação Internacional do Governo de Santa Catarina. Prova que nada acontece por um passe de mágica, mas sim fruto de muito planejamento.
Linha Direta:
Arte Brasil Produções: (47) 9119-2442
Ativa Tecnologia e Desenvolvimento: (21) 3527-1800
Bicicletaria Della Giustina: (48) 3234-5000
Tabach Criações Artísticas Ilimitada: (21) 9999-6969
Conteúdo publicado na Revista Empreendedor